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Em 188 anos de história, PM de São Paulo tem seu primeiro policial transexual

Jovem entrou como PM feminina e hoje é reconhecido pela corporação como policial do gênero masculino

O soldado Emanoel Henrique Lunardi Ferreira, de 24 anos, que entrou na Polícia Militar de São Paulo como Emanoely, está fazendo história na corporação como seu primeiro policial transexual. Atualmente, o soldado Henrique é lotado em Ituperava, no interior paulista. A decisão foi aprovada pelo comando da PM.

O PM Henrique ingressou na Polícia Militar no ano de 2016 como policial feminina. Seu nome de farda era soldado Emanoely. Ele conta que nasceu num corpo de mulher, mas nunca se viu no gênero feminino. Diz que sempre se identificou como um homem. E, por isso, fez um pedido para que a corporação o reconhecesse como um policial do gênero masculino. Sua demanda foi aceita um ano depois.

O jovem conta que desde a adolescência se sentia atraído por garotas. Naquela idade, assumiu sua homossexualidade e os relacionamentos com meninas. Todavia, sempre se sentiu incomodado com seu corpo de mulher. No mesmo ano que entrou para a PM, resolveu procurar ajuda psicológica. E foi com o acompanhamento profissional que descobriu ter orientação transexual.

O PM quando ingressou na Polícia Militar e era o soldado Emanoely

No ano seguinte, em 2017, Henrique, que ainda era Emanoely, exigiu que a Polícia Militar o tratasse pelo gênero masculino, pedindo a PM que mudasse seu nome. Em consonância com parecer de um psicólogo da instituição, um processo foi aberto e em um ano foi aprovada a mudança.

“A Polícia Militar tem 188 anos e este é o primeiro caso de transexual. Temos casos de homossexuais na PM, mas de transexual é o primeiro caso.A PM, com isso, deseja mostrar que está aberta sim a acolher e a receber pessoas com identidades de gêneros diferente, com opções sexuais diversas”, comentou ao Portal G1 a capitã Cláudia Lança, chefe de comunicação social da PM.

Incomodado com o corpo feminino, soldado Henrique iniciou em 2017 o tratamento hormonal à base de testosterona. O objetivo era o de se tornar visualmente homem. E, em 2018, enquanto a Polícia Militar analisava seu pedido, ele submeteu à cirurgia de mastectomia, retirando o par de seios.

Soldado Henrique após a retirada dos seios

“Hoje eu tive a oportunidade de tomar meu primeiro banho de chuva após ter feito a minha mastectomia. Enquanto todas as pessoas corriam para fugir da chuva, eu continuei caminhando. A alegria que eu senti por continuar sendo o mesmo homem, por passar despercebido, ficou estampada no meu rosto”, escreveu em seu Instagram, semanas após a cirurgia.

“Apesar de ter um emprego, servindo a sociedade, eu não me sentia feliz na minha vida pessoal porque não era visto como eu queria ser visto. Eu nunca me senti muito à vontade. Se eu parar a transição, pode ser que, com o tempo, a minha menstruação volte. Não é o que eu quero”, finalizou.

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