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Conselheiro do Santos sobre pardos: “Essa cor é uma mistura de uma raça que não tem caráter”

Torcida santista foi às redes sociais pedir a expulsão de Adilson Durante Filho

A torcida e a diretoria do Santos foram sacudidas nesta quinta-feira (18) com o vazamento de áudios racistas, atribuídos a um conselheiro do clube paulista. As falas de cunho racista seriam do conselheiro Adilson Durante Filho. Em nota, ele assume parte do material que circula em grupos de WhatsApp.

Nos áudios, dirigidos a um interlocutor não identificado, Durante expõe sua revolta contra jogadores da cor parda. “ Sempre que tiver um pardo, o pardo o que que é, não é aquele negão, também não é o branquinho. É o moreninho, da cor dele. Desses caras, tem que desconfiar de todos. Todos que tu conhecer”, diz ele num trecho dos áudios vazados.

“Essa cor é uma mistura de uma raça que não tem caráter. É verdade, isso é estudo. Todo pardo, todo mulato, tu tem que tomar cuidado. Não mulato tipo o Pedro, o Pedro é tipo índio, tipo chileno, essas porras. Estou dizendo mulato brasileiro, entendeu, dos pardos brasileiros. São todos mau caráter. Não tem um que não seja”, fala o conselheiro em outros.

O episódio ganhou rápida repercussão no dia de hoje e a Diretoria do Santos resolveu se pronunciar através de uma nota. Em seu site, diz que o Santos “tem em sua trajetória a marca de ter sido, nos anos 60, um dos símbolos mais fortes, a nível mundial, do combate ao racismo”.

O conselheiro santista, que também é secretário-adjunto de Turismo da Prefeitura de Santos, se pronunciou em nota, explicando que suas falas racistas aconteceram em “um momento de infelicidade”. Durante pede “desculpas a todos que se sentiram ofendidos” e ressalta o “mais profundo arrependimento”.

Torcedores do Santos e de outras torcidas foram rápidos na reação e inundaram as redes sociais com as hashtags #SantosAntiRacista e #ExpulsaORacista. Todavia, para que o conselheiro seja banido do clube, como deseja a torcida, é necessário haver uma denúncia, assinada por, no mínimo, 20 membros do Conselho Deliberativo, do qual o próprio Durante é membro.

Time campeão mundial da década de 60 ficou marcado pela mistura de raças

Nota publicada por Adilson Durante Filho:

Com relação a um antigo áudio de alguns anos atrás que circula nas mídias sociais, de minha autoria, gostaria de expor que, em um momento de infelicidade e levado pela emoção, em decorrência de um fato que muito me abalou, acabei me expressando de forma absolutamente diversa das minhas crenças e modo de agir. Jamais tive a intenção de atingir quem quer que seja, até porque assim me manifestei em um pequeno grupo de supostos amigos de WhatsApp. Consigno que não tenho qualquer preconceito em razão de cor, raça ou credo, pois minha criação não me permitiria ser diferente. Peço, humildemente, desculpas a todos que se sentiram ofendidos, e expresso, por meio deste comunicado, meu mais profundo arrependimento quanto às palavras genericamente proferidas

Nota oficial do Santos:

O Santos Futebol Clube tem em sua trajetória a marca de ter sido, nos anos 60, um dos símbolos mais fortes, a nível mundial, do combate ao racismo, ainda engatinhando naquela época, mas que se fortalecia. O time mágico de Pelé, Pepe, Coutinho, Zito e tantos outros gênios do futebol espalhou aquela maravilhosa imagem de brancos e negros se abraçando para comemorar gols que encantavam o mundo. Até hoje mantemos acesa essa tradição. Assim, é muito triste que tantas décadas depois tenhamos de vir a público reafirmar nosso absoluto repúdio a qualquer forma de discriminação e racismo.

Temos orgulho da nossa história construída em 107 anos de existência por ídolos negros, pardos, brancos e seres humanos de todas as etnias. Brasileiros, somos produto da miscigenação. Santistas, vamos continuar lutando pela paz do nosso branco e pela nobreza do nosso preto, cores eternamente entrelaçadas em nossa história.

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